Publicado por: galeradaredacao | setembro 7, 2013

O retorno!

Olá, queridos amantes e estudantes da Língua Portuguesa! Estive passeando por outros países e agora que estou de volta ao Brasil, quero voltar a alimentar o blog com conteúdo relevante sobre essa nossa linda e complicada língua! Fiquem ligados!!

Publicado por: galeradaredacao | novembro 8, 2009

Exercícios – Verbos Irregulares, Defectivos, Anômalos e Abundantes

Oi, galerinha!

Esta é a tarefa para terça-feira!

Abraço, da prof!

 

1. Flexione corretamente os verbos grifados, de acordo com o contexto:

a. Quando eu ser criança, não tínheis essas preocupações.

b. É possível que eles estar viajando.

c. Como não obter resposta, esmurrou a porta com violência.

d. Até agora eles ter sido muito bons pra mim.

e. Fábio avançou contra mim, João o deter: eu não conter o riso.

2. Prossiga, dando a pessoa, o número, o tempo e o modo das formas verbais, como no exemplo.

a. cansam – 3a. pessoa do plural do presente do indicativo.

b. deixávamos –

c. achastes –

d. atáramos –

e. deixasse –

 

3. Complete a frase de acordo com o que se pede:

a. Nós ______________________ que o rio fosse fundo. (Supor, Pretérito Imperfeito do Indicativo)

b. O motorista parou o carro, ____________________ com violência. (Frear, gerúndio)

c. Sete países do Pacífico ____________________ aos testes nucleares. (Opor-se, Pretérito Perfeito do Indicativo)

d. Ele parecia receoso de que alguém o _________________. (Contradizer, Pretérito Imperfeito do Subjuntivo)

e. Até então eu não tinha _______________ no debate. (Intervir, particípio)

 

4.  Use as formas verbais adequadas do particípio dos verbos abundantes indicados:

a. A polícia havia _______________ o grupo de manifestantes. (dispersar)

b. A folhas estavam ________________ no chão. (dispersar)

c. A multidão seria ______________ a gás lacrimogêneo. (dispersar)

d. As chuvas tinham ______________ o fogo. (extinguir)

e. Estava enfim _______________ o infame cativeiro! (extinguir)

f. A raça humana seria ________________ pelas explosões nucleares. (extinguir)

 

Publicado por: galeradaredacao | outubro 28, 2009

Discurso – Eu tenho um sonho

Olá, queridos!

Estou postando o vídeo completo do discurso de Martin Luther King, “I have a dream” (Eu tenho um sonho). Logicamente, o discurso está em inglês, mas vale a pena assistir para observar a entonação da voz e as características de um discurso público.

Conversamos mais sobre o assunto em sala, ok?

Por hora, deixo uma pequena e inspiradora poesia com vocês:

“A folha da bananeira,

A folha da bananeira.

A folha da bananeira…

A folha da bananeira?

A folha da bananeira!”

 

Abraço,

Da prof.

Publicado por: galeradaredacao | outubro 19, 2009

Mais Exercícios – Orações Coordenadas

Queridos! Mais exercícios sobre Período Composto por Coordenação!!

1. Todos os períodos dados a seguir são compostos por coordenação. Separe as orações de cada um deles e classifique-as.

a) Todos prometeram ajudar; muitos, porém, não cumpriram a promessa.

__________________________________________________________________________________

b) “O homem ao meu lado acende outro cigarro, dá uma tragada e joga-o pela janela”. (Stanislaw Ponte Preta)

___________________________________________________________________________________

c) Ele trabalhava durante o dia e estudava à noite.

___________________________________________________________________________________

d) A criança ora cantava, ora se punha a correr pela sala.

___________________________________________________________________________________

 

Ele pensava numa nova edição do seu romance pela mesma editora; NÃO, PODERIA, POIS, TER RESCINDIDO O CONTRATO COM ELA.”

2. A oração destacada classifica-se como

a) subordinada adverbial final.

b) subordinada adverbial consecutiva.

c) subordinada adverbial condicional.

d) coordenada assindética explicativa.

e) coordenada sindética conclusiva.

 

3. No período: “Paredes ficaram tortas, animais enlouqueceram e as plantas caíram”, temos:

 a)      Duas orações coordenadas assindéticas e uma oração subordinada substantiva.

b)      Três subordinadas substantivas.

c)      Três orações coordenadas.

d)      Quatro orações coordenadas.

e)       Uma oração principal e duas orações subordinadas.

 

4. Una as orações de cada um dos pares a seguir com a conjunção coordenativa adequada:

a.) O lavrador abriu sulcos. Depositou as sementes. ________________________________________________

b.) Precisamos preservar a natureza. Não sobreviveremos.__________________________________________

 

5. Assinale a alternativa em que a oração em destaque foi incorretamente analisada:

a) (     ) Compre o bilhete PORQUE O SORTEIO SERÁ AMANHÃ. (Oração Coordenada Sindética Conclusiva)

b) (     ) Viu o acidente E SOCORREU AS VÍTIMAS. (Oração Coordenada Sindética Aditiva)

c) (     ) O professor fala muito, QUESTIONA BASTANTE. (Oração Coordenada Assindética)

d) (     ) Volte cedo, POIS IREMOS À FESTA. (Oração Coordenada Sindética Explicativa)

e) (     ) Não correu NEM BRINCOU. (Oração Coordenada Sindética Aditiva)

Publicado por: galeradaredacao | outubro 14, 2009

Exercícios – Coordenação

Olá, meus queridos! Aproveitem para estudar para a prova fazendo os exercícios abaixo!

1.  Analise as orações abaixo e verifique se apresentam sentido de soma (aditiva), oposição (adversativa), exclusão (alternativa), conclusão (conclusiva), ou explicação (explicativa). Classifique as orações abaixo.

a. Estou sofrendo sérias pressões, todavia, não me intimidarei. _______________

b. Ou se fazem grandes mudanças neste país ou acontecerão explosões sociais. _____________

c. Não fique aí parado que as soluções não caem do céu. ___________

d. Ele saiu de manhã e deve retornar à noite. _____________

 e. Todos nós estudamos muito, vamos, pois, tirar boas notas na prova. ____________

 2. Reescreva as orações abaixo, substituindo as conjunções usadas por outras de igual sentido.

a. Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. ___________________________________________________________________________________

b. Ela não quis me emprestar o livro, mas não ficou simplesmente nisso. ___________________________________________________________________________________

c. Estavam felizes, pois receberam boas notícias. ____________________________________________________________________________________

3. Estabeleça a relação de causa e conseqüência entre as orações abaixo e classifique-as:

a. Nossas leis não são democráticas, portanto queremos modificá-las através de uma nova Constituição. ________________________________________________________________________________

b. Aproveite bem as férias, pois temos muito trabalho pela frente. _________________________________________________________________________________

 

Abraço, da prof! E até a próxima aula!!

Publicado por: galeradaredacao | outubro 9, 2009

Piadas – Leitura para o dia 16/10

Olá, galera da redação! Leiam todos os textos abaixo e escolham 3 (três) para preencher a ficha de leitura 1.

Abraço! E divirtam-se!

Texto 1 – A pescaria

Uma menininha foi pescar com o pai. Quando chegou em casa, estava com um lado do rosto todo inchado e sua mãe perguntou:

– Filhinha, o que aconteceu?

– Foi o marimbondo mãe…

– Ele te picou?

– Não deu tempo… O pai matou com o remo.

 

Texto 2 – Imprevisto aéreo

O avião está a 10.000 metros quando os passageiros constatam que um dos motores está em chamas. Um início de pânico instala-se na cabine. A aeromoça tenta acalmá-los, mas não consegue.

E em seguida, na outra asa, outro motor pega fogo. Neste momento, o piloto sai da cabine de comando e explica sorrindo aos passageiros que tudo está sob controle, que a situação não é crítica e que o avião vai superar estes problemas. Os passageiros se acalmam.

Depois, o piloto pega sacolas do cockpit e as distribui para a tripulação. Um dos passageiros se espanta.

– Mas… isso aí… não são paraquedas?

– Sim, são paraquedas – responde o piloto.

– Mas o senhor não acabou de dizer que tudo está sob controle e não é para nos preocuparmos?

– Exatamente – responde o piloto – Nós vamos procurar ajuda e voltamos logo.

 

Texto 3 – Autoridade paterna

Joãozinho chega da escola e vai direto a geladeira pegar o sorvete. Sua mãe entra na cozinha e lhe dá uma bronca:

– Nada disso, Joãozinho! Isso não é  hora de tomar sorvete. Está quase na hora do almoço. Vá lá fora brincar.  

– Mas, mamãe, não tem ninguém para brincar comigo!

A mãe não entra no jogo dele e diz:

– Está bem, então, eu vou brincar com você. Do que é  que nos vamos brincar?

– Quero brincar de papai-e-mamãe.

Tentando não mostrar surpresa, ela responde:

– Certo. O que é que eu devo fazer?

– Vá para seu quarto e deite-se.

Pensando que vai ser bem fácil controlar a situação, a mãe sobe as escadas. Joãozinho vai até  o quartinho e pega um velho chapéu do pai. Ele encontra um toco de cigarro num cinzeiro e o coloca no canto da boca. Sobe as escadas e vai até  o quarto da mãe. A mãe levanta a cabeça e pergunta:

– E o que eu faço agora?

Com um jeito autoritário, Joãozinho diz:

– Desça já e dê sorvete ao garoto!

 

Texto 4 – Na loja de brinquedos

– A senhora tem boneca da Barbie para vender?

– Tenho a Barbie ginasta, a Barbie noiva e a Barbie doutora por vinte e cinco reais e a Barbie desquitada por R$ 250.

– Como assim?! Por que a Barbie desquitada é tão cara?

– Porque vem com o carro do Ken, a casa do Ken, os móveis do Ken…

 

 

 

Texto 5 – O burro

Certa vez quatro meninos foram ao campo e, por R$ 100, compraram o burro de um velho camponês. O homem combinou entregar-lhes o animal no dia seguinte. Mas, quando eles voltaram para levar o burro, o camponês lhes disse:

– Sinto muito, amigos, mas tenho uma má notícia. O burro morreu.

– Então devolva-nos o dinheiro!

– Não posso, já gastei tudo.

– Então, de qualquer forma, queremos o burro. E para que o querem? O que vão fazer com ele?

– Nós vamos rifá-lo.

– Estão loucos? Como vão rifar um burro morto?

– Obviamente, não vamos dizer a ninguém que ele está morto…

Um mês depois, o camponês encontrou novamente com os quatro garotos e lhes perguntou:

– E então, o que aconteceu com o burro?

– Como lhe dissemos, o rifamos. Vendemos 500 números a 2 reais cada um e arrecadamos R$ 1 mil.

– E ninguém se queixou?

– Só o ganhador, porém lhe devolvemos os 2 reais, e pronto.

 

Texto 6 – Memória

Um homem deixou as ruas cheias de neve de Chicago e rumou para umas férias na ensolarada Flórida. Sua esposa, que estava viajando a negócios, planejava encontrá-lo lá no dia seguinte. Quando chegou ao hotel, ele resolveu mandar um e-mail para a mulher. Como não achou o papelzinho em que tinha anotado o endereço do e-mail dela, tirou da memória o que lembrava e torceu para que estivesse certo.

Infelizmente, ele errou uma letra e a mensagem foi enviada à mulher de um pastor. Este pastor havia morrido no dia anterior.

A tal esposa do pastor, então, foi checar os seus e-mails e, após uma olhada no monitor, deu um grito de horror e caiu dura no chão. Mortinha.

Ao ouvir o grito, sua família correu para o quarto e leu o seguinte e-mail na tela do monitor: “Querida esposa, acabei de chegar. Foi uma viagem longa. Aqui é tudo muito bonito. Muitas árvores, jardins… Apesar de só estar aqui há poucas horas, já estou gostando muito. Agora vou descansar. Falei aqui com o pessoal e está tudo preparado para sua chegada amanhã. Tenho certeza de que você também vai gostar… Beijos do seu eterno e amoroso marido”.

 

Texto 7 – Primeiros Socorros

Dois caçadores caminham na floresta quando um deles, subitamente, cai no chão com os olhos revirados.

– Não parece estar respirando.

O outro caçador pega o celular, liga para o serviço de emergência e diz:

– Meu amigo morreu! O que eu faço?

Com voz pausada, o atendente explica:

– Mantenha a calma. A primeira coisa a fazer é ter certeza de que ele está morto.

Vem um silêncio.

Logo depois se ouve um tiro.

A voz do caçador volta à linha. Ele diz:

– Ok. E agora?

Publicado por: galeradaredacao | setembro 21, 2009

Exercícios – Colocação Pronominal

Meus amores!

Façam estes exercícios como treino para a prova! E estudem MUITO!!

 

1.  Identifique e classifique os pronomes pessoais em retos ou oblíquos, dizendo a que pessoa do discurso se refere.

a. Já estávamos cansados de trabalhar; eles ainda não estavam.

b. Os netos ameigam-lhe a face, mas ele permanece impassível.

c. Nunca o magoarei, a menos que o senhor me magoe.

d. Vossa Excelência irá conosco ou com Sua Majestade?

e. Não lhes pagaremos antes que nos peçam desculpas.

 

2. Transcreva as frases, completando-as com pronome pessoal adequado.

a. Jussara não ____ ama, mas ele ____ ama.

b. Terezinha não ____ entende, mas eu ____ entendo.

c. Isabel não ____ cumprimentou, mas eles ____ cumprimentaram.

d. Os árabes brigam entre ____ mesmos. Que haverá entre ____?

e. ____ sempre ____ levanto cedo: ____ nunca ____ deitamos tarde.

 

3. Transcreva as frases, substituindo o que está em destaque por pronomes pessoais>

a. Se eu der minha palavra a vocês, saberei cumprir ela até o fim.

b. O ladrão pulou o muro, os policiais perseguiram o ladrão e prenderam o ladrão.

c. Tiramos uma xérox do documento, trouxémos a xérox e pusemos a xérox em cima da mesa do chefe.

d. Ela traz a alface e põe a alface na geladeira; as crianças vêm e tiram a alface da geladeira.

e. Como a filha deles chegou tarde, castigaram a filha.

 

4. Complete com EU ou MIM, conforme convier:

a. Trouxeram um presente para _____, mas não era pra ___ abrir.

b. Meus filhos não dorme sem ____, não dorme sem ____ estar ao lado deles.

c. Lá em casa, deixam tudo pra ____ fazer, mas nunca dá pra ____ fazer tudo sozinho.

 

Corrigiremos na terça-feira, ok?

Abraço, da prof!

Publicado por: galeradaredacao | agosto 28, 2009

Contos – Leitura para o dia 04/09

Na Escola – Carlos Drummond de Andrade

 

Democrata é Dona Amarílis, professora na escola pública de uma rua que não vou contar, e mesmo o nome de Dona Amarílis é inventado, mas o caso aconteceu.

Ela se virou para os alunos, no começo da aula, e falou assim:

– Hoje eu preciso que vocês resolvam uma coisa muito importante. Pode ser?

– Pode – a garotada respondeu em coro.

– Muito bem. Será uma espécie de plebiscito. A palavra é complicada, mas a coisa é simples. Cada um dá sua opinião, a gente soma as opiniões e a maioria é que decide. Na hora de dar opinião, não falem todos de uma vez só, porque senão vai ser muito difícil eu saber o que é que cada um pensa. Está bem?

– Está – respondeu o coro, interessadíssimo.

– Ótimo. Então, vamos ao assunto. Surgiu um movimento para as professoras poderem usar calça comprida nas escolas. O governo disse que deixa, a diretora também, mas no meu caso eu não quero decidir por mim. O que se faz na sala de aula deve ser de acordo com os alunos. Para todos ficarem satisfeitos e um não dizer que não gostou.

Assim não tem problema. Bem, vou começar pelo Renato Carlos. Renato Carlos, você acha que sua professora deve ou não deve usar calça comprida na escola?

– Acho que não deve – respondeu, baixando os olhos.

– Por quê?

– Porque é melhor não usar.

– E por que é melhor não usar?

– Porque minissaia é muito mais bacana.

– Perfeito. Um voto contra. Marilena, me faz um favor, anote aí no seu caderno os votos contra. E você, Leonardo, por obséquio, anote os votos a favor, se houver. Agora quem vai responder é Inesita.

– Claro que deve, professora. Lá fora a senhora usa, por que vai deixar de usar aqui dentro?

– Mas aqui dentro é outro lugar.

-É a mesma coisa. A senhora tem uma roxo-cardeal que eu vi outro dia na rua, aquela é bárbara.

– Um a favor. E você, Aparecida?

– Posso ser sincera, professora?

– Pode, não. Deve.

– Eu, se fosse a senhora, não usava.

– Por quê?

– O quadril, sabe? Fica meio saliente…

– Obrigada, Aparecida. Você anotou, Marilena? Agora você, Edmundo.

– Eu acho que Aparecida não tem razão, professora. A senhora deve ficar muito bacana de calça comprida. O seu quadril é certinho.

– Meu quadril não está em votação, Edmundo. A calça sim. Você é contra ou a favor da calça?

– A favor 100%.

– Você, Peter?

– Pra mim tanto faz.

– Não tem preferência?

– Sei lá. Negócio de mulher eu não me meto, professora.

– Uma abstenção. Mônica, você fica encarregada de tomar nota dos votos iguais ao de Peter: nem contra nem a favor, antes pelo contrário.

Assim iam todos, votando, como se escolhessem o Presidente da República, tarefa que talvez, quem sabe? No futuro sejam chamados a desempenhar. Com a maior circunspeção. A vez de Rinalda:

– Ah, cada um na sua.

– Na sua, como?

– Eu na minha, a senhora na sua, cada um na dele, entende?

– Explique melhor.

– Negócio seguinte. Se a senhora quer vir de pantalona, venha. Eu quero vir de midi, de máxi, de short, venho. Uniforme é papo furado.

– Você foi além da pergunta, Rinalda. Então é a favor?

– Evidente. Cada um curtindo à vontade.

– Legal! – exclamou Jorgito. – Uniforme está superado, professora. A senhora vem de calça comprida, e a gente aparecemos de qualquer jeito.

– Não pode – refutou Gilberto. – Vira bagunça. Lá em casa ninguém anda de pijama ou

de camisa aberta na sala. A gente tem de respeitar o uniforme.

Respeita, não respeita, a discussão esquentou, Dona Amarílis pedia ordem, ordem, assim não é possível, mas os grupos se haviam extremado, falavam todos ao mesmo tempo, ninguém se fazia ouvir, pelo que, com quatro votos a favor de calça comprida, dois contra, e um tanto-faz, e antes que fosse decretada por maioria absoluta a abolição do uniforme escolar, a professora achou prudente declarar encerrado o plebiscito, e passou à lição de História do Brasil.

 

 

FELICIDADE CLANDESTINA (Clarice Lispector)

Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.

Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.

Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.

Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim um tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.

Era um livro grosso, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E, completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.

Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.

No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranqüilo e maldoso. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!

E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.

Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.

Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.

Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.

 

 

Três Tesouros Perdidos (Machado de Assis)

Uma tarde, eram quatro horas, o sr. X… voltava à sua casa para jantar. O apetite que levava não o fez reparar em um cabriolé que estava parado à sua porta. Entrou, subiu a escada, penetra na sala e… dá com os olhos em um homem que passeava a largos passos como agitado por uma interna aflição.

Cumprimentou-o polidamente; mas o homem lançou-se sobre ele e com uma voz alterada, diz-lhe:

— Senhor, eu sou F…, marido da senhora Dona E…

— Estimo muito conhecê-lo, responde o sr. X…; mas não tenho a honra de conhecer a senhora Dona E…

— Não a conhece! Não a conhece! … quer juntar a zombaria à infâmia?

— Senhor!…

E o sr. X… deu um passo para ele.

— Alto lá!

O sr. F… , tirando do bolso uma pistola, continuou:

— Ou o senhor há de deixar esta corte, ou vai morrer como um cão!

— Mas, senhor, disse o sr. X…, a quem a eloqüência do sr. F… tinha produzido um certo efeito, que motivo tem o senhor?…

— Que motivo! É boa! Pois não é um motivo andar o senhor fazendo a corte à minha mulher?

— A corte à sua mulher! não compreendo!

— Não compreende! oh! não me faça perder a estribeira.

— Creio que se engana…

— Enganar-me! É boa! … mas eu o vi… sair duas vezes de minha casa…

— Sua casa!

— No Andaraí… por uma porta secreta… Vamos! ou…

— Mas, senhor, há de ser outro, que se pareça comigo…

— Não; não; é o senhor mesmo… como escapar-me este ar de tolo que ressalta de toda a sua cara? Vamos, ou deixar a cidade, ou morrer… Escolha!

Era um dilema. O sr. X… compreendeu que estava metido entre um cavalo e uma pistola. Pois toda a sua paixão era ir a Minas, escolheu o cavalo.

Surgiu, porém, uma objeção.

— Mas, senhor, disse ele, os meus recursos…

— Os seus recursos! Ah! tudo previ… descanse… eu sou um marido previdente.

E tirando da algibeira da casaca uma linda carteira de couro da Rússia, diz-lhe:

— Aqui tem dois contos de réis para os gastos da viagem; vamos, parta! parta imediatamente. Para onde vai?

— Para Minas.

— Oh! a pátria do FG, Tiradentes! Deus o leve a salvamento… Perdôo-lhe, mas não volte a esta corte… Boa viagem!

Dizendo isto, o sr. F… desceu precipitadamente a escada, e entrou no cabriolé, que desapareceu em uma nuvem de poeira.

O sr. X… ficou por alguns instantes pensativo. Não podia acreditar nos seus olhos e ouvidos; pensava sonhar. Um engano trazia-lhe dois contos de réis, e a realização de um dos seus mais caros sonhos. Jantou tranqüilamente, e daí a uma hora partia para a terra de
FG, Gonzaga, deixando em sua casa apenas um moleque encarregado de instruir, pelo espaço de oito dias, aos seus amigos sobre o seu destino.

No dia seguinte, pelas onze horas da manhã, voltava o sr. F… para a sua chácara de Andaraí, pois tinha passado a noite fora.

Entrou, penetrou na sala, e indo deixar o chapéu sobre uma mesa, viu ali o seguinte bilhete:

“Meu caro esposo! Parto no paquete em companhia do teu amigo P… Vou para a Europa. Desculpa a má companhia, pois melhor não podia ser. — Tua E…”

Desesperado, fora de si, o sr. F… lança-se a um jornal que perto estava: o paquete tinha partido às oito horas.

— Era P… que eu acreditava meu amigo… Ah! maldição! Ao menos não percamos os dois contos! Tornou a meter-se no cabriolé e dirigiu-se à casa do sr. X…, subiu; apareceu o moleque.

— Teu senhor?

— Partiu para Minas.

O sr. F… desmaiou.

Quando deu acordo de si estava louco… louco varrido!

Hoje, quando alguém o visita, diz ele com um tom lastimoso:

— Perdi três tesouros a um tempo: uma mulher sem igual, um amigo a toda prova, e uma linda carteira cheia de encantadoras notas… que bem podiam aquecer-me as algibeiras!…

Neste último ponto, o doido tem razão, e parece ser um doido com juízo.

Publicado por: galeradaredacao | agosto 27, 2009

Exercícios – Verbos Irregulares

Atendendo a pedidos, alguns exercícios para quem quer ter um bom desempenho na próxima prova!

1. Preencha as lacunas corretamente, usando os verbos irregulares no tempo pedido:

a. Ainda que eu ____________ o torcedor mais fanático, meu time ainda perde. (Ser/Presente do Subjuntivo)

 b. Eles _____________ muitos amigos, mas todos eles ___________ embora. (Ter/ Ir/ Pretérito Imperfeito do Indicativo)

c. Eu _____________ uma linda canção para você (Compor/ Pretérito Perfeito do Indicativo)

d. Se ele _____________ mais esperto, ___________ o que está acontecendo (Ser/ Ver/ Futuro do Pretérito do Indicativo)

e. João e Maria ________ até a floresta em busca de ouro. (Ir/ Futuro do Presente do Indicativo)

f. Eu ______ o que ________. (Ser/ Presente do Indicativo)

g. Tu ____________ muito dinheiro na poupança antes de falir (Reter/ Pretérito Imperfeito do Indicativo)

h. Vós __________ doentes nestes últimos dias? (Estar/ Pretérito Perfeito do Indicativo)

i. Filipe e eu ____________ para a festa. (Vir/ Presente do Indicativo)

 j. Quando tu __________ o José, me avise. (Ver/ Futuro do Subjuntivo)

 

Amanhã coloco o gabarito aqui no blog mesmo, ok?

Abraço! da prof.

Publicado por: galeradaredacao | agosto 11, 2009

Artigos de Opinião – Leitura para o dia 21/08

Água Nossa de Todo Dia

Beto Moesch, 26 de Junho de 2008, em www.betomoesch.com.br

Água da chuva, água do mar, água revigorante no corpo cansado, água refrescante, que sacia a sede… Pois esse elemento da natureza, essencial, se tornará escasso em nosso planeta, se não for utilizado de forma sustentável. Porisso, torna-se extremamente importante a Campanha da Fraternidade 2004, enfocando justamente esse tema vital.

Embora o volume total do planeta seja de 1,44 bilhão de Km cúbicos, 97% são de água salgada e apenas 3%, de água doce, e somente 0,7% destes, em lagos, rios e subsolo, são passíveis de exploração. Hoje, 250 milhões de pessoas, em 26 países, enfrentam falta crônica de recursos hídricos. A previsão é de que em 30 anos saltará para 3 bilhões, em 52 países. Como se não bastasse, o consumo de água é duas vezes maior que o crescimento populacional.

A degradação do meio ambiente vem escasseando e contaminando rapidamente as reservas superficiais e subterrâneas desses recursos. O Brasil detém 12% de toda a água disponível para consumo no mundo. Apesar disso, nosso país é um dos que mais sofrem com o desequilíbrio entre a oferta e a demanda, desperdício, poluição e violação das áreas de preservação dos cursos d’água. O desperdício no Brasil chega a 60% da água tratada e injetada na rede, sendo que no meio agrícola chega a 93%. No Estado não é diferente: tendo o consumo direcionado em 69% para a agricultura, 23% para a para a indústria e 8% para uso doméstico, apenas 510 ml de cada litro de água tratada chegam aos consumidores. O restante é perdido em vazamentos, problemas nos hidrômetros e ligações clandestinas. O DMAE estima que em Porto Alegre perde-se 34,4% da água produzida.

A solução para o abastecimento de água no planeta está no manejo adequado e sustentável dos recursos, priorizando a preservação das nascentes dos rios, o tratamento dos dejetos sanitários, hospitalares e efluentes industriais, a correta destinação dos resíduos sólidos urbanos, um controle efetivo sobre a utilização de pesticidas na agricultura, a preservação de áreas remanescentes de floresta nativa, abrigo de muitas nascentes, bem como a preservação das águas subterrâneas. Para a manutenção de todas estas atitudes, torna-se essencial o investimento em educação ambiental. Assim, pode-se reverter o atual quadro alarmante, melhorando a qualidade de vida das populações e possibilitando a perpetuação de toda biodiversidade planetária.

 

O Fracasso da Ortodoxia

Luiz Fernando de Paula, Especial para A FOLHA

A economia brasileira nos últimos anos tem sido marcada pelo baixo crescimento: média de 2,3% de 1999 a 2004 e possivelmente 3% em 2005. O crescimento econômico tem sido obstaculizado, entre outros fatores, pela vulnerabilidade externa, que torna o país vulnerável a choques externos e a avaliação de risco dos investidores, e pela adoção de um mix de políticas fiscal e monetária contracionistas, o que impõe uma restrição de demanda ao crescimento, que tem sido parcialmente compensado pelo crescimento das exportações líquidas. Comparativamente à performance de outros países emergentes, o crescimento brasileiro tem sido modesto: a Índia cresceu a taxa média de 6,1% de 1992 a 2003, a Malásia, 6%, e a China, 9,8% no mesmo período.

Um dos elementos centrais do imbróglio macroeconômico brasileiro é o elevado nível da taxa de juros reais praticada no país (10% reais, em média, de 1999 a 2004), incompatível com um crescimento econômico sustentável e financeiramente estável.

As altas taxas de juros resultam em: (1) um constrangimento ao crescimento econômico, através do encarecimento do preço do crédito e dos impactos negativos das taxas de juros sobre as expectativas empresariais de longo prazo; (2) um aumento na dívida pública, que é formada em boa parte por títulos indexados à taxa de overnight.

O alto grau de abertura da conta de capitais no Brasil é um dos fatores que colocam a taxa de juros entre as mais altas do mundo, ao torná-la bastante influenciada tanto pelo risco-país quanto pela expectativa da taxa de câmbio.

Adiciona-se a esses fatores o conservadorismo excessivo das autoridades monetárias que faz com que o BC (Banco Central) eleve a taxa de juros sempre que haja qualquer ameaça de uma possível elevação nos preços, independentemente da causa. No atual regime de política econômica observa-se uma dominância da política monetária sobre a política fiscal: dado o compromisso do governo com a solvência fiscal, quando o BC, por algum motivo, eleva a taxa de juros básica, o Tesouro é obrigado a se ajustar, elevando ainda mais o superávit primário fiscal.

A questão central da política macroeconômica, portanto, é criar condições para redução da taxa de juros. Uma redução gradual, porém significativa da taxa de juros reais, permitiria converter o círculo vicioso em um círculo virtuoso de crescimento: juros baixos, diminuição na dívida pública, melhoria no quadro fiscal, aumento nos investimentos públicos, menores taxas de empréstimos, crescimento do crédito, maior crescimento econômico.

No Brasil, em contexto de operação de um regime de metas de inflação acoplado a um regime de flutuação cambial “puro”, há uma forte relação entre a política monetária e a política cambial: a volatilidade excessiva da taxa de câmbio gera problemas de gerenciamento da política macroeconômica, além de afetar negativamente as decisões empresariais de investimento. De forma geral, a política monetária praticada no Brasil tem sido endógena: o BC eleva a taxa de juros para mitigar os efeitos da volatilidade da taxa de câmbio, embora recentemente o BC venha elevando de forma mais autônoma a taxa de juros, no que tem resultado uma apreciação da taxa de câmbio e uma queda da inflação.

Uma redução da taxa de juros de curto prazo seria possível através da adoção de um conjunto de medidas: (1) desmantelamento dos mecanismos de indexação da economia ainda existentes; (2) combinação de uma política de formação de reservas cambiais com uma regulamentação nos fluxos de capitais permitiria uma maior estabilidade da taxa de câmbio nominal; (3) adoção de restrições aos fluxos de capitais, que permitiria um maior grau de autonomia da política monetária; (4) melhoria na situação fiscal, proporcionada por esforço moderado de geração de superávits fiscais com juros mais baixos e maior crescimento.

Evidentemente, uma mudança desta natureza não será feita pelo atual governo, que há muito fez sua opção por uma política ao agrado do mercado financeiro e que a nosso juízo tem um viés anticrescimento. Mas, certamente, uma política macroeconômica voltada para o crescimento estará na pauta da discussão na eleição que se aproxima.

 

Luiz Fernando de Paula é professor da Faculdade de Economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCE-UERJ) e co-editor do livro “Novo-Desenvolvimentismo” (Manole)

 

Sempre leia o Original

Uma greve geral dos professores alguns anos atrás teve uma conseqüência interessante. Reintroduziu, para milhares de estudantes, o valor esquecido das bibliotecas. Os melhores alunos readquiriram uma competência essencial para o mundo moderno – voltaram a aprender sozinhos, como antigamente. Muitos descobriram que alguns professores nem fazem tanta falta assim. Descobriram também que nas bibliotecas estão os livros originais, as obras que seus professores usavam para dar as aulas, os grandes clássicos, os autores que fizeram suas ciências famosas.

Muitos professores se limitam a elaborar resumos malfeitos dos grandes livros. Quantas vezes você já assistiu a uma aula em que o professor parecia estar lendo o material? Seria bem mais motivador e eficiente deixar que os próprios alunos lessem os livros. Os professores serviriam para tirar as dúvidas, que fatalmente surgiriam.

Hoje, muitas bibliotecas vivem vazias. Pergunte a seu filho quantos livros ele tomou emprestado da biblioteca neste ano. Alguns nem saberão onde ela fica. Talvez devêssemos pensar em construir mais bibliotecas antes de contratar mais professores. Um professor universitário, ganhando 4.000 reais por mês ao longo de trinta anos (mais os cerca de vinte da aposentadoria), permitiria ao Estado comprar em torno de 130.000 livros, o suficiente para criar 130 bibliotecas. Seiscentos professores poderiam financiar 5.000 bibliotecas de 10.000 livros cada uma, uma por município do país.

Universidades são, por definição, elitistas, para a alegria dos cursinhos. Bibliotecas são democráticas, aceitam todas as classes sociais e etnias. Aceitam curiosos de todas as idades, sete dias por semana, doze meses por ano. Bibliotecas permitem ao aluno depender menos do professor e o ajudam a confiar mais em si.

Nunca esqueço minha primeira visita a uma grande biblioteca, e a sensação de pegar nas mãos um livro escrito pelo próprio Einstein, e logo em seguida o de cálculo de Newton. Na época, eu queria ser físico nuclear.

Infelizmente, livros nunca entram em greve para alertar sobre o total abandono em que se encontram nem protestam contra a enorme falta de bibliotecas no Brasil. Visitei no ano passado uma escola secundária de Phillips Exeter, numa cidade americana de 30.000 habitantes, no desconhecido Estado de New Hampshire. Os alunos me mostraram com orgulho a biblioteca da escola, de NOVE andares, com mais de 145.000 obras. A Biblioteca Mário de Andrade, da cidade de São Paulo, tem 350.000. A bibliotecária americana ganhava mais do que alguns dos professores, ao contrário do que ocorre no Brasil, o que demonstra o enorme valor que se dá às bibliotecas nos Estados Unidos.

Não quero parecer injusto com os milhares de professores que incentivam os alunos a ler livros e a freqüentar bibliotecas. Nem quero que sejam substituídos, pois são na realidade facilitadores do aprendizado, motivam e estimulam os alunos a estudar, como acontece com a maioria dos professores do primário e do colegial. Mas estes estão ficando cada vez mais raros, a ponto de se tornarem assunto de filme, como ocorre em Sociedade dos Poetas Mortos, com Robin Williams.

Na próxima aula em que seu professor fizer o resumo de um livro só, ou lhe entregar uma apostila mal escrita, levante-se discretamente e vá direto para a biblioteca. Pegue um livro original de qualquer área, sente-se numa cadeira confortável e leia, como se fazia 500 anos atrás. Você terá um relato apaixonado, aguçado, com os melhores argumentos possíveis, de um brilhante pensador. Você vai ler alguém que tinha de convencer toda a humanidade a mudar uma forma de pensar.

Um autor destemido e corajoso que estava colocando sua reputação, e muitas vezes seu pescoço, em risco. Alguém que estava escrevendo apaixonadamente para convencer uma pessoa bastante especial: você.

Stephen Kanitz foi professor universitário por trinta anos (www.kanitz.com.br)

Revista Veja, Editora Abril, edição 1802, ano 36, nº 19 de 14 de maio de 2003, página 20

 

 

O Futuro da Nova Geração

Na próxima vez em que seus pais lhes falarem que eles começaram do zero, digam que eles tiveram muita sorte. Vocês começarão com muito menos do que zero, pois irão começar com uma dívida de quase meio milhão de reais por casal. Quando seus pais lhes contarem que na época deles tudo era muito mais difícil, peçam a eles que leiam novamente este artigo. Quando seus pais nasceram, a população mundial era de somente 2 bilhões de habitantes. Enquanto eles pregavam o amor livre, em vez da paternidade responsável, nasceram mais 4 bilhões de criaturas para competir com vocês. Até hoje, discutir paternidade responsável é considerado politicamente incorreto no Brasil. Na época de seus pais, pagavam-se somente 5 a 15 dólares o barril de petróleo; agora vocês terão de pagar de 50 a 100 dólares. Isso eles delicadamente sempre se esquecem de mencionar.

Na época de seus pais, a carga tributária era de somente 15% do PIB. Eles podiam gastar 85% de tudo o que ganhavam, podiam viajar para a Disney com toda a família, tirar férias e trabalhar das 9 até as 17 horas. Agora, graças à opção ou omissão deles, a carga tributária já chega a 45% do PIB e vocês poderão gastar no máximo 55% do que ganharem. O crime organizado não paga impostos, por isso o governo só recebe 40% do PIB, mas vocês pagarão 45% do que ganham. A mãe não precisava trabalhar fora porque a renda do pai dava para sustentar a família. Hoje, em vez de cuidar da educação moral dos filhos, sua futura esposa certamente terá de trabalhar duro para ajudar no sustento da casa. O pior é que boa parte do que ela ganhar será para pagar os impostos e as alíquotas que seus pais criaram ou deixaram criar. A velha geração também criou esta dívida pública interna de 1 trilhão de reais que vocês terão de pagar, com juros de 19% ao ano.

Outra dívida monumental que eles escondem a sete chaves é a previdenciária, estimada num estudo de Francisco Oliveira, do Ipea, em mais de 7 trilhões de reais, a ser pagos por vocês, jovens, nos próximos trinta anos. Isso tudo significa que os 20 milhões de famílias cujo titular está abaixo dos 30 anos começam a vida com uma dívida pública inicial de 400.000 reais mais ou menos. A maioria não consegue ganhar isso numa vida inteira, muito menos poupar esse valor, mas será obrigada a fazê-lo, está na Constituição. Não confiem nesses estudos e papers feitos por pesquisadores com mais de 50 anos que pretendem se aposentar. Façam vocês os próprios estudos e projeções. Nem confiem em mim; criem um grupo de estudo na internet e calculem essa dívida vocês mesmos, se deixarem. Para não ser acusado de exagerado, deliberadamente não incluí outra dívida, colossal nos Estados Unidos, que é a da saúde. Os velhos gastam de oito a trinta vezes mais em saúde do que os jovens, mas poucos da velha geração, muito menos o governo, estão poupando para uma eventual doença grave ou ponte de safena. Quem pagará por essa conta provavelmente serão vocês. Por isso, os gastos do governo e a carga tributária aumentarão de 45% para 50% ao longo dos anos. Em nome da dívida social eles criaram uma dívida monumental.

Seus pais fazem parte ou foram vítimas da geração que assinou a Constituição de 1988. Ou então fazem parte ou foram vítimas da escola keynesiana de intelectuais, a turma do gastem e endividem-se hoje porque “a longo prazo estaremos todos mortos”. Mui amigos! A bem da verdade, a velha geração do mundo inteiro fez o mesmo, não é um fenômeno exclusivamente brasileiro. A velha geração americana, por exemplo, deixa dívida de 40 trilhões de dólares para a próxima geração pagar, leiam The Coming Generation Storm . O resto do mundo deixa um estrago bem maior, leiam Who Will Pay, publicado pelo FMI. Graças às dívidas públicas que seus pais contraíram para “desenvolver” o Brasil, aos impostos que eles criaram para “ajudar” os outros, aos direitos que eles concederam para si, ao petróleo que eles consumiram a 100 quilômetros por hora, a vida de vocês vai ser muito, mas muito mais difícil do que a deles. Mas isso eles não publicam, não escrevem nem contam na hora do jantar.

Stephen Kanitz é administrador por Harvard (www.kanitz.com.br)

Editora Abril, Revista Veja, edição 1914, ano 38, nº 29, 20 de julho de 2005, página 22

Older Posts »

Categorias