Publicado por: galeradaredacao | agosto 11, 2009

Artigos de Opinião – Leitura para o dia 21/08

Água Nossa de Todo Dia

Beto Moesch, 26 de Junho de 2008, em www.betomoesch.com.br

Água da chuva, água do mar, água revigorante no corpo cansado, água refrescante, que sacia a sede… Pois esse elemento da natureza, essencial, se tornará escasso em nosso planeta, se não for utilizado de forma sustentável. Porisso, torna-se extremamente importante a Campanha da Fraternidade 2004, enfocando justamente esse tema vital.

Embora o volume total do planeta seja de 1,44 bilhão de Km cúbicos, 97% são de água salgada e apenas 3%, de água doce, e somente 0,7% destes, em lagos, rios e subsolo, são passíveis de exploração. Hoje, 250 milhões de pessoas, em 26 países, enfrentam falta crônica de recursos hídricos. A previsão é de que em 30 anos saltará para 3 bilhões, em 52 países. Como se não bastasse, o consumo de água é duas vezes maior que o crescimento populacional.

A degradação do meio ambiente vem escasseando e contaminando rapidamente as reservas superficiais e subterrâneas desses recursos. O Brasil detém 12% de toda a água disponível para consumo no mundo. Apesar disso, nosso país é um dos que mais sofrem com o desequilíbrio entre a oferta e a demanda, desperdício, poluição e violação das áreas de preservação dos cursos d’água. O desperdício no Brasil chega a 60% da água tratada e injetada na rede, sendo que no meio agrícola chega a 93%. No Estado não é diferente: tendo o consumo direcionado em 69% para a agricultura, 23% para a para a indústria e 8% para uso doméstico, apenas 510 ml de cada litro de água tratada chegam aos consumidores. O restante é perdido em vazamentos, problemas nos hidrômetros e ligações clandestinas. O DMAE estima que em Porto Alegre perde-se 34,4% da água produzida.

A solução para o abastecimento de água no planeta está no manejo adequado e sustentável dos recursos, priorizando a preservação das nascentes dos rios, o tratamento dos dejetos sanitários, hospitalares e efluentes industriais, a correta destinação dos resíduos sólidos urbanos, um controle efetivo sobre a utilização de pesticidas na agricultura, a preservação de áreas remanescentes de floresta nativa, abrigo de muitas nascentes, bem como a preservação das águas subterrâneas. Para a manutenção de todas estas atitudes, torna-se essencial o investimento em educação ambiental. Assim, pode-se reverter o atual quadro alarmante, melhorando a qualidade de vida das populações e possibilitando a perpetuação de toda biodiversidade planetária.

 

O Fracasso da Ortodoxia

Luiz Fernando de Paula, Especial para A FOLHA

A economia brasileira nos últimos anos tem sido marcada pelo baixo crescimento: média de 2,3% de 1999 a 2004 e possivelmente 3% em 2005. O crescimento econômico tem sido obstaculizado, entre outros fatores, pela vulnerabilidade externa, que torna o país vulnerável a choques externos e a avaliação de risco dos investidores, e pela adoção de um mix de políticas fiscal e monetária contracionistas, o que impõe uma restrição de demanda ao crescimento, que tem sido parcialmente compensado pelo crescimento das exportações líquidas. Comparativamente à performance de outros países emergentes, o crescimento brasileiro tem sido modesto: a Índia cresceu a taxa média de 6,1% de 1992 a 2003, a Malásia, 6%, e a China, 9,8% no mesmo período.

Um dos elementos centrais do imbróglio macroeconômico brasileiro é o elevado nível da taxa de juros reais praticada no país (10% reais, em média, de 1999 a 2004), incompatível com um crescimento econômico sustentável e financeiramente estável.

As altas taxas de juros resultam em: (1) um constrangimento ao crescimento econômico, através do encarecimento do preço do crédito e dos impactos negativos das taxas de juros sobre as expectativas empresariais de longo prazo; (2) um aumento na dívida pública, que é formada em boa parte por títulos indexados à taxa de overnight.

O alto grau de abertura da conta de capitais no Brasil é um dos fatores que colocam a taxa de juros entre as mais altas do mundo, ao torná-la bastante influenciada tanto pelo risco-país quanto pela expectativa da taxa de câmbio.

Adiciona-se a esses fatores o conservadorismo excessivo das autoridades monetárias que faz com que o BC (Banco Central) eleve a taxa de juros sempre que haja qualquer ameaça de uma possível elevação nos preços, independentemente da causa. No atual regime de política econômica observa-se uma dominância da política monetária sobre a política fiscal: dado o compromisso do governo com a solvência fiscal, quando o BC, por algum motivo, eleva a taxa de juros básica, o Tesouro é obrigado a se ajustar, elevando ainda mais o superávit primário fiscal.

A questão central da política macroeconômica, portanto, é criar condições para redução da taxa de juros. Uma redução gradual, porém significativa da taxa de juros reais, permitiria converter o círculo vicioso em um círculo virtuoso de crescimento: juros baixos, diminuição na dívida pública, melhoria no quadro fiscal, aumento nos investimentos públicos, menores taxas de empréstimos, crescimento do crédito, maior crescimento econômico.

No Brasil, em contexto de operação de um regime de metas de inflação acoplado a um regime de flutuação cambial “puro”, há uma forte relação entre a política monetária e a política cambial: a volatilidade excessiva da taxa de câmbio gera problemas de gerenciamento da política macroeconômica, além de afetar negativamente as decisões empresariais de investimento. De forma geral, a política monetária praticada no Brasil tem sido endógena: o BC eleva a taxa de juros para mitigar os efeitos da volatilidade da taxa de câmbio, embora recentemente o BC venha elevando de forma mais autônoma a taxa de juros, no que tem resultado uma apreciação da taxa de câmbio e uma queda da inflação.

Uma redução da taxa de juros de curto prazo seria possível através da adoção de um conjunto de medidas: (1) desmantelamento dos mecanismos de indexação da economia ainda existentes; (2) combinação de uma política de formação de reservas cambiais com uma regulamentação nos fluxos de capitais permitiria uma maior estabilidade da taxa de câmbio nominal; (3) adoção de restrições aos fluxos de capitais, que permitiria um maior grau de autonomia da política monetária; (4) melhoria na situação fiscal, proporcionada por esforço moderado de geração de superávits fiscais com juros mais baixos e maior crescimento.

Evidentemente, uma mudança desta natureza não será feita pelo atual governo, que há muito fez sua opção por uma política ao agrado do mercado financeiro e que a nosso juízo tem um viés anticrescimento. Mas, certamente, uma política macroeconômica voltada para o crescimento estará na pauta da discussão na eleição que se aproxima.

 

Luiz Fernando de Paula é professor da Faculdade de Economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCE-UERJ) e co-editor do livro “Novo-Desenvolvimentismo” (Manole)

 

Sempre leia o Original

Uma greve geral dos professores alguns anos atrás teve uma conseqüência interessante. Reintroduziu, para milhares de estudantes, o valor esquecido das bibliotecas. Os melhores alunos readquiriram uma competência essencial para o mundo moderno – voltaram a aprender sozinhos, como antigamente. Muitos descobriram que alguns professores nem fazem tanta falta assim. Descobriram também que nas bibliotecas estão os livros originais, as obras que seus professores usavam para dar as aulas, os grandes clássicos, os autores que fizeram suas ciências famosas.

Muitos professores se limitam a elaborar resumos malfeitos dos grandes livros. Quantas vezes você já assistiu a uma aula em que o professor parecia estar lendo o material? Seria bem mais motivador e eficiente deixar que os próprios alunos lessem os livros. Os professores serviriam para tirar as dúvidas, que fatalmente surgiriam.

Hoje, muitas bibliotecas vivem vazias. Pergunte a seu filho quantos livros ele tomou emprestado da biblioteca neste ano. Alguns nem saberão onde ela fica. Talvez devêssemos pensar em construir mais bibliotecas antes de contratar mais professores. Um professor universitário, ganhando 4.000 reais por mês ao longo de trinta anos (mais os cerca de vinte da aposentadoria), permitiria ao Estado comprar em torno de 130.000 livros, o suficiente para criar 130 bibliotecas. Seiscentos professores poderiam financiar 5.000 bibliotecas de 10.000 livros cada uma, uma por município do país.

Universidades são, por definição, elitistas, para a alegria dos cursinhos. Bibliotecas são democráticas, aceitam todas as classes sociais e etnias. Aceitam curiosos de todas as idades, sete dias por semana, doze meses por ano. Bibliotecas permitem ao aluno depender menos do professor e o ajudam a confiar mais em si.

Nunca esqueço minha primeira visita a uma grande biblioteca, e a sensação de pegar nas mãos um livro escrito pelo próprio Einstein, e logo em seguida o de cálculo de Newton. Na época, eu queria ser físico nuclear.

Infelizmente, livros nunca entram em greve para alertar sobre o total abandono em que se encontram nem protestam contra a enorme falta de bibliotecas no Brasil. Visitei no ano passado uma escola secundária de Phillips Exeter, numa cidade americana de 30.000 habitantes, no desconhecido Estado de New Hampshire. Os alunos me mostraram com orgulho a biblioteca da escola, de NOVE andares, com mais de 145.000 obras. A Biblioteca Mário de Andrade, da cidade de São Paulo, tem 350.000. A bibliotecária americana ganhava mais do que alguns dos professores, ao contrário do que ocorre no Brasil, o que demonstra o enorme valor que se dá às bibliotecas nos Estados Unidos.

Não quero parecer injusto com os milhares de professores que incentivam os alunos a ler livros e a freqüentar bibliotecas. Nem quero que sejam substituídos, pois são na realidade facilitadores do aprendizado, motivam e estimulam os alunos a estudar, como acontece com a maioria dos professores do primário e do colegial. Mas estes estão ficando cada vez mais raros, a ponto de se tornarem assunto de filme, como ocorre em Sociedade dos Poetas Mortos, com Robin Williams.

Na próxima aula em que seu professor fizer o resumo de um livro só, ou lhe entregar uma apostila mal escrita, levante-se discretamente e vá direto para a biblioteca. Pegue um livro original de qualquer área, sente-se numa cadeira confortável e leia, como se fazia 500 anos atrás. Você terá um relato apaixonado, aguçado, com os melhores argumentos possíveis, de um brilhante pensador. Você vai ler alguém que tinha de convencer toda a humanidade a mudar uma forma de pensar.

Um autor destemido e corajoso que estava colocando sua reputação, e muitas vezes seu pescoço, em risco. Alguém que estava escrevendo apaixonadamente para convencer uma pessoa bastante especial: você.

Stephen Kanitz foi professor universitário por trinta anos (www.kanitz.com.br)

Revista Veja, Editora Abril, edição 1802, ano 36, nº 19 de 14 de maio de 2003, página 20

 

 

O Futuro da Nova Geração

Na próxima vez em que seus pais lhes falarem que eles começaram do zero, digam que eles tiveram muita sorte. Vocês começarão com muito menos do que zero, pois irão começar com uma dívida de quase meio milhão de reais por casal. Quando seus pais lhes contarem que na época deles tudo era muito mais difícil, peçam a eles que leiam novamente este artigo. Quando seus pais nasceram, a população mundial era de somente 2 bilhões de habitantes. Enquanto eles pregavam o amor livre, em vez da paternidade responsável, nasceram mais 4 bilhões de criaturas para competir com vocês. Até hoje, discutir paternidade responsável é considerado politicamente incorreto no Brasil. Na época de seus pais, pagavam-se somente 5 a 15 dólares o barril de petróleo; agora vocês terão de pagar de 50 a 100 dólares. Isso eles delicadamente sempre se esquecem de mencionar.

Na época de seus pais, a carga tributária era de somente 15% do PIB. Eles podiam gastar 85% de tudo o que ganhavam, podiam viajar para a Disney com toda a família, tirar férias e trabalhar das 9 até as 17 horas. Agora, graças à opção ou omissão deles, a carga tributária já chega a 45% do PIB e vocês poderão gastar no máximo 55% do que ganharem. O crime organizado não paga impostos, por isso o governo só recebe 40% do PIB, mas vocês pagarão 45% do que ganham. A mãe não precisava trabalhar fora porque a renda do pai dava para sustentar a família. Hoje, em vez de cuidar da educação moral dos filhos, sua futura esposa certamente terá de trabalhar duro para ajudar no sustento da casa. O pior é que boa parte do que ela ganhar será para pagar os impostos e as alíquotas que seus pais criaram ou deixaram criar. A velha geração também criou esta dívida pública interna de 1 trilhão de reais que vocês terão de pagar, com juros de 19% ao ano.

Outra dívida monumental que eles escondem a sete chaves é a previdenciária, estimada num estudo de Francisco Oliveira, do Ipea, em mais de 7 trilhões de reais, a ser pagos por vocês, jovens, nos próximos trinta anos. Isso tudo significa que os 20 milhões de famílias cujo titular está abaixo dos 30 anos começam a vida com uma dívida pública inicial de 400.000 reais mais ou menos. A maioria não consegue ganhar isso numa vida inteira, muito menos poupar esse valor, mas será obrigada a fazê-lo, está na Constituição. Não confiem nesses estudos e papers feitos por pesquisadores com mais de 50 anos que pretendem se aposentar. Façam vocês os próprios estudos e projeções. Nem confiem em mim; criem um grupo de estudo na internet e calculem essa dívida vocês mesmos, se deixarem. Para não ser acusado de exagerado, deliberadamente não incluí outra dívida, colossal nos Estados Unidos, que é a da saúde. Os velhos gastam de oito a trinta vezes mais em saúde do que os jovens, mas poucos da velha geração, muito menos o governo, estão poupando para uma eventual doença grave ou ponte de safena. Quem pagará por essa conta provavelmente serão vocês. Por isso, os gastos do governo e a carga tributária aumentarão de 45% para 50% ao longo dos anos. Em nome da dívida social eles criaram uma dívida monumental.

Seus pais fazem parte ou foram vítimas da geração que assinou a Constituição de 1988. Ou então fazem parte ou foram vítimas da escola keynesiana de intelectuais, a turma do gastem e endividem-se hoje porque “a longo prazo estaremos todos mortos”. Mui amigos! A bem da verdade, a velha geração do mundo inteiro fez o mesmo, não é um fenômeno exclusivamente brasileiro. A velha geração americana, por exemplo, deixa dívida de 40 trilhões de dólares para a próxima geração pagar, leiam The Coming Generation Storm . O resto do mundo deixa um estrago bem maior, leiam Who Will Pay, publicado pelo FMI. Graças às dívidas públicas que seus pais contraíram para “desenvolver” o Brasil, aos impostos que eles criaram para “ajudar” os outros, aos direitos que eles concederam para si, ao petróleo que eles consumiram a 100 quilômetros por hora, a vida de vocês vai ser muito, mas muito mais difícil do que a deles. Mas isso eles não publicam, não escrevem nem contam na hora do jantar.

Stephen Kanitz é administrador por Harvard (www.kanitz.com.br)

Editora Abril, Revista Veja, edição 1914, ano 38, nº 29, 20 de julho de 2005, página 22


Responses

  1. Prof, gostei bastante do artigo “Sempre leia o original”, é um texto muito bom. “O futuro da nova geração” também é um bom artigo.

    • Oi, Isa, querida! Acredita que estes textos também foram os meus favoritos? Que bom que gostou! Beijinho, da Prof.

  2. li o promeiro pelo mesmo motiovo do gabriel :p

  3. prof eu adorei o da “Água Nossa De Todo o Dia” é bem interresante pois não falta do que se deixe a falar pois o assunto que contem no meio sobre o meio ambiemte além de ser muito interresante é necessário pois quase ninguem sabe o que ou quanto há de água no planeta!
    “Embora o volume total do planeta seja de 1,44 bilhão de Km cúbicos, 97% são de água salgada e apenas 3%, de água doce, e somente 0,7% destes, em lagos, rios e subsolo, são passíveis de exploração. Hoje, 250 milhões de pessoas, em 26 países, enfrentam falta crônica de recursos hídricos. A previsão é de que em 30 anos saltará para 3 bilhões, em 52 países. Como se não bastasse, o consumo de água é duas vezes maior que o crescimento populacional.”


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